sexta-feira, 19 de junho de 2015

O Quadro Na Parede


O quadro na parede já esta lá a tanto tempo que os personagens da pintura parecem se mexer. No espaço-tempo o quadro ainda é pintado todos os dias. Na solidão do pincel e seu guia os dias se passam. As teias de aranha lá fora abraçam as folhas caídas. As flores se abrem e morrem na mesma velocidade. O canto dos pássaros é o mesmo, mas pode se perceber que não há mais aquele vigor ou empolgação.
O desgaste dos dias, o sussurrar das palavras no inconsciente fazem com que o pintor sinta falta de dias alegres, dias de infância. .. Longe dos compromissos, das responsabilidades, longe da consciência de um mundo áspero. O quadro se move, as crianças caem mas esta tudo bem, um arranhão e voltam a brincar. -Ai. Escuta-se outro grito de dor.
Outra criança caiu, mas ela esta bem. Esta outra um pouco chora mas já passou e sozinha volta a brincar. O velho observa e diz que as crianças precisam crescer e o pintor o escuta. Passam se anos a pintura do mesmo jeito, a moldura começa a se soltar. Por fim o quadro cai, os corvos voam e a morte vem a aqueles do quadro acalentar e acariciar- lhes os cabelos. O vento sopra, o velho continua aguardando o próximo quadro que virá e o pintor continua lá pois não se extingue. E este continua a escrever no espaço-tempo elegias sobre a morte.

A. Rodrigues

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